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Sobre os Media

Sobre os Media

12.Fev.19

Rádio na península Ibérica: as mudanças nos últimos 10 anos

 
 
Assinalando o Dia Mundial da Rádio, que se comemora a 13 de fevereiro, a Marktest realizou uma análise sobre o consumo de rádio em Portugal e Espanha.
 

Faz agora 73 anos que a United Nations Radio (Rádio das Nações Unidas) emitiu, pela primeira vez, um programa em simultâneo para um grupo de seis países. Por esta razão, em 2011, a Unesco tomou a iniciativa de assinalar o dia 13 de fevereiro como Dia Mundial da Rádio.

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Há 3 anos, a propósito das comemorações desta data, fizemos aqui uma breve comparação entre o consumo de rádio de Portugal e Espanha. Voltamos, este ano, ao tema, fazendo agora uma breve análise comparativa da evolução do consumo de rádio, nos últimos 10 anos.

Em análises longitudinais, a rádio tem-se revelado um meio dinâmico e com uma boa resposta à erosão provocada pela Internet noutros meios clássicos.

Apesar deste meio também não estar imune ao digital, ainda assim, e como mostra a nossa análise, os dois mercados ibéricos de Rádio têm demonstrado dinamismo e adesão por parte dos respectivos públicos.

Em Espanha, os dados de audiências de rádio são produzidos no âmbito do Estudio General de Medios (EGM), da Asociación para la Investigación de Medios de Comunicación (AIMC), com uma metodologia de recolha muito semelhante à do Bareme Rádio da Marktest: ambos os estudos utilizam a entrevista telefónica e a recolha através do preenchimento de um questionário online.


A última década na Rádio Portuguesa 

Em 2018, em ambos os lados da fronteira a penetração de rádio apresentam valores muito próximos (Portugal – 56%, Espanha – 58%). Há 10 anos, as cifras não eram muito diferentes, mas Portugal apresentava uma ligeira vantagem, com um Reach de 55%.

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Assim, ao longo desta década, apenas se detectam evoluções ligeiras. No entanto, por detrás destes valores, como veremos de seguida, existem diferenças relevantes nos perfis de consumo.


Rádio espanhola mais feminina 

Em 2008, a penetração do meio rádio era maior nos homens, em ambos os países, com predominância para Portugal (PT-62,8%, ESP-58,0%). Já nos dados mais recentes, embora essa predominância nacional se mantenha, em Espanha ocorre uma inversão de pesos, tendo a rádio conquistado uma fatia adicional do sexo feminino (61,2% contra 57,5% dos homens).

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De forma genérica, em ambos os países, a rádio ganhou ouvintes nas mulheres, mas em Espanha esse crescimento foi mais acentuado, ultrapassando o sexo masculino, quanto a Reach.


Amadurecimento dos ouvintes, a diferentes velocidades 

Ao analisarmos os ouvintes de rádio por grupos de idades, encontramos alguns pontos relevantes. O primeiro tem a ver com a evolução etária dos ouvintes lusos: os portugueses dos 35-44 anos apresentam um importante crescimento, de quase 12 p.p. (de 63% para 74%). O qual é acompanhado dum ligeiro decréscimo nos mais jovens, sugerindo uma menor captação nas novas gerações. É assim, que o segmento 25-24 perde 2 p.p. (73% para 71%) e o segmento 15-24 perde outro tanto.

Com esta evolução, os 35-44 anos passam a ser o segmento líder na escuta de rádio, portuguesa, seguidos agora dos 25-34, os quais ocupavam o pódio há 10 anos.

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Em Espanha, em termos gerais a tendência é semelhante. O ligeiro crescimento ocorrido ao longo destes 10 anos é resultante, principalmente, de um aumento de ouvintes mais velhos, mas neste caso especialmente nos segmentos a partir dos 45 anos. Tal como em Portugal, também para os nossos vizinhos há perdas nos segmentos mais jovens, mas do outro lado da fronteira, estas perdas são mais acentuadas que em Portugal.

Acabam, no entanto, por ser positivamente compensadas com um saldo positivo resultante do volume de crescimento nos mais velhos.

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Na visão conjunta, constata-se que o crescimento de escuta, ao longo de uma década, em ambos os países é feito com base em escalões etários acima dos 35 anos. O que acontece mais acentuadamente em Espanha.

Também em ambos os países há perdas nos mais jovens, mas menores que a captação nas restantes idades. Com esta evolução, ambos os mercados crescem mas, simultaneamente, apresentam algum envelhecimento.


A rádio nas rotinas diárias 

O começo de mais um dia de trabalho traduz-se no prime-time, tanto para os portugueses como para os espanhóis. Mas a similitude termina aí e, logo no período seguinte, os perfis já divergem.

Em Portugal, há um pico destacado de consumo entre as 8 e as 9, enquanto em Espanha, o pico forma um planalto que começa à mesma hora, mas que se alonga até meio da manhã.

E essa diferença acentua-se a partir do meio do dia. Enquanto por lá, após o “almuerzo” continua a descida de escuta, apenas com uma ligeira inflexão a meio da tarde, por cá, em Portugal, este é um período de recuperação, atingindo-se um segundo topo, agora mais persistente no tempo, entre as 16 e as 18h.

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Numa visão geral, e segundo os dados do Bareme Rádio e do EGM que nos serviram de fonte para esta breve análise comparada, a rádio apresenta níveis globais de consumo relativamente próximos, mas com algumas interessantes divergências de evolução ao longo de 10 anos e, muito principalmente, ciclos diários de escuta distintos, especialmente na 2ª metade dos dias de trabalho.

Fontes e metodologia:

As nossas análises comparativas de audiências, utilizaram os dados dos últimos 10 anos (2008-2018) do Bareme Rádio e do EGM de Espanha.

 

Bareme Rádio estuda a população residente em Portugal Continental com 15 e mais anos (cerca de 8 milhões e 564 mil indivíduos), enquanto o EGM estuda a população residente em todo o território espanhol, com 14 e mais anos (cerca de 39 milhões e 724 mil indivíduos).

 

Fonte.